Ambiente
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Nova política de apoio animal para corresponder à lei e suprir carências

A Câmara Municipal de Espinho revelou hoje novas estratégias de apoio a animais para corresponder à legislação atual e às necessidades que as estruturas intermunicipais não conseguem suprir, o que passa por esterilizações e subsídios a associações protetoras.
"A Câmara não tem resposta para acolher todos os animais errantes que deveriam ficar no canil municipal, onde agora é proibida a eutanásia, e o canil regional da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria também está sempre em ‘overbooking', pelo que, mesmo encontrando-se em fase de ampliação, rapidamente terá a sua capacidade de novo esgotada", explicou à Lusa o presidente da autarquia, Joaquim Pinto Moreira.
"Ora como não há capacidade de resposta institucional para o problema dos animais abandonados, decidimos recorrer ao associativismo local e apoiar mais as instituições que já vêm acolhendo cães e gatos errantes há muito tempo e conseguem umas 150 adoções por ano", declarou o autarca.
Se antes a Câmara Municipal disponibilizava apenas apoio logístico a esses organismos, o que envolvia aspetos como a cedência de lojas, a oferta de materiais de construção, a gratuitidade de lugares de estacionamento e a ajuda na organização de atividades para angariação de fundos, agora a estratégia inclui também a atribuição de 18.000 euros anuais à associação Patinhas Sem Lar, que gere dois abrigos no concelho.
"Também apoiamos a Bobby e Companhia e a associação MarAnimais, mas a Patinhas Sem Lar é a que tem maior dimensão em Espinho e, no fundo, vem-se substituindo um bocado ao que os organismos públicos não têm conseguido fazer sozinhos", justificou Pinto Moreira. "Com este apoio, a instituição vai agora reforçar a sua atividade e acolher mais alguns animais", afirmou.
Entretanto, também está a decorrer no concelho o programa de esterilização animal que em 2017 venceu a primeira edição do Orçamento Participativo de Espinho e ganhou para esse efeito 50.000 euros. 
O projeto foi aberto a todas as clínicas veterinárias do município, abrange também famílias sem capacidade financeira para assegurar essas castrações e, segundo Joaquim Sá, chefe da Divisão Municipal de Serviços Básicos e Ambiente, "é uma boa medida para controlar a população" de animais errantes.
"Há gente que se diz contra a esterilização, mas depois deixa os seus animais fazerem o que lhes apetece cá fora e, quando as fêmeas da rua se reproduzem, isso só gera mais abandonados", defendeu esse responsável. "É preciso que essas pessoas percebam que estão a contribuir para o problema e que toda gente tem que ter um comportamento responsável - não podem ser só as entidades públicas a ser responsabilizadas", argumentou.
Nesse mesmo contexto, Joaquim Sá disse estar "ultrapassada" a polémica gerada há alguns anos quando o Município definiu coimas para quem alimentasse animais na via pública. 
"As pessoas atiravam escamas de peixe para os terrenos e deixavam-nas lá ficar a largar cheiro; punham comida para os gatos na rua e deixavam-na lá todo o dia a atrair ratos; havia gente que saía do apartamento e ao chegar à porta da rua tinha tudo cheio de comida no chão", recordou o chefe da Divisão de Ambiente. 
"Estávamos a receber muitas queixas e as coimas foram uma maneira de impor regras - não se tratava de impedir que dessem comida, mas sim de obrigar a que deixassem a via pública limpa, porque não é por quererem ajudar os animais que podem pôr em causa a salubridade e saúde pública", declarou.
Mesmo assim, Joaquim Sá acredita que o problema dos animais errantes ainda demorará a resolver-se e "deverá até acentuar-se no período do verão", quando "é típico que as pessoas os abandonem para ir de férias e até venham de outros concelhos largá-los em Espinho para serem as instituições locais a ficar com eles".
A sua perspetiva é, por isso, de que "o futuro terá que passar pela construção de mais um canil" no concelho. "Por enquanto está tudo controlado com o investimento da Câmara e com o trabalho das associações, mas a certa altura isso não vai chegar", concluiu. 
in LUSA

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